Gorda é sinônimo de doença? Padrão de corpos é benéfico para várias indústrias

Apesar de ser verdade no imaginário de muita gente, a correlação entre peso e (não) saúde vem sendo questionada por representantes do Movimento Vai Ter Gorda e especialistas. “Tem muita gente que é gorda e é saudável. Ao mesmo tempo, tenho amigas que são super magras e têm problemas de pressão ou de coração”, conta a produtora Érika Cadôr.

Quando o assunto é saúde, a modelo Adriana Santos, assim como boa parte das participantes do Movimento Vai Ter Gorda, afirmam que não é preciso ser magra para ser saudável. “Nos empoderamos e também praticamos atividades físicas e cuidamos da nossa saúde regularmente”, revela. Ela incentiva as mulheres a amarem seus corpos e a se cuidarem.

Segundo o historiador Renato Souza, essa correlação entre gordo e não saudável faz parte de uma construção histórica e é formada por uma articulação entre saberes médicos e as indústrias farmacêutica e da moda. “O que a medicina faz é se apropriar de um debate social e legitimá-lo socialmente. Nesse caso, identificar esse corpo como doença. Para a medicina, só existem dois caminhos extremos: cirurgia e medicamentos”, explica ele, que também estuda gordofobia. Souza afirma que esse processo, que existe em várias esferas, é chamado de medicalização do corpo. “Existe muito(a) gordo(a) saudável, sim. O corpo gordo como doença é mais um postulado da medicina do que – de fato – uma questão aplicada”, afirma, ressaltando que a existência de um padrão que nega os corpos na sociedade é benéfica para várias indústrias. Ouça trecho da entrevista com o historiador:

Souza defende que as estratégias que muitas pessoas adotam para chegar ao padrão considerado ideal são desumanas. “A bariátrica, por exemplo, tem um alto índice de erros. Muita gente fala que ‘é uma questão de saúde’ e acha que os problemas estarão resolvidos se for mag… quer dizer, saudáveis. Mas querem mesmo é emagrecer para alcançar um padrão de beleza e não saúde”, pontua.

Segundo o historiador, a sociedade não só acredita no discurso do magro e saudável como algo verdadeiro como constrói um imaginário que reflete em outros setores da vida social, como o trabalho. “O corpo gordo é associado a alguém preguiçoso ou menos capaz, o que não é verdade”, afirma. Para Renato, uma resposta a esse estigma social é uma ação política organizada. É o caso dos grupos de discussão sobre gordofobia, corpo, feminismo, etc. Ele cita as redes sociais como um local importante de debate. “É preciso questionar e discutir o que é considerado natural. Só quando são mais velhas é que essas meninas começam a enfrentar os padrões naturalizados pela sociedade”.

A psicóloga Paula Gonzaga, que tem mestrado em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo considera ainda que essas discussões devem ser levadas às escolas públicas, à formação dos profissionais de saúde e aos serviços da ponta do sistema. “A maioria das pessoas se informam pela TV ou por revistas sensacionalistas que cumprem uma agenda de patologização do que é diferente. Temos um programa televisivo na emissora de maior audiência do país que vincula diariamente reportagens que associam pessoas gordas à doença. Esse é um exemplo de porque as pessoas ainda acreditam que essa é uma relação indissociável”, explica. Ela ressalta que a insatisfação das mulheres com o próprio corpo compõe um nicho de mercado extremamente lucrativo, no qual reforçam a todo momento que estamos feias e doentes, para que o consumo de produtos e procedimentos continue aumentando.

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Paula Gonzaga defende que peso não é sinônimo de doença

Paula pontua que ser gordo(a) não é determinante para que alguém adoeça. “As pessoas fazem discursos relacionando de forma determinista saúde e magreza. É preciso questionar as informações que são descaradamente e compulsivamente empurradas sobre nós. As pessoas reproduzem isso de forma irresponsável, negligente, gerando uma patrulha dos corpos alheios. A preocupação não é com a saúde, é com o controle”, argumenta.

Apesar de não ser considerado ideal por muitos, o Índice de Massa Corporal (IMC) ainda é utilizado pelos médicos para classificar o peso. A endocrinologista Damaris Lopes explica que é considerado obesidade o resultado acima de 30. “Quando você tem sobrepeso, tem dificuldades em várias funções do organismo. Se isso vai se perpetuando, além das alterações metabólicas, aumentam as questões ortopédicas. Isso tende a piorar com o passar dos anos”, afirma ela, que atende na Clínica de Endocrinologia, Diabetes e Obesidade.

A médica considera que obesidade é doença e precisa ser prevenida e tratada. “Tem pessoas que têm sobrepeso e todos os dados estão normais – isso é fato. Mas quanto tempo isso vai durar? Às vezes estão gastando a saúde antes da hora. Nenhum extremo é
bom – nem ser muito magro nem muito gordo. É interessante que a pessoa tente manter um peso normal. Se ela tem obesidade
nível 3, que tente abaixar um pouco e depois manter o peso”, pontua. Ela ressalta que o acompanhamento médico é essencial para todo mundo, independente do peso. Ouça trecho da entrevista com a médica:

 

#tátendogorda: juntas, mulheres empoderadas mostram que gorda não é xingamento

“Baleia”, gritou um desconhecido no colégio. “Saco de banha”, disse outro. As risadinhas nas aulas de Educação Física eram constantes – até memes fizeram. Não pode usar biquíni. Nem short curto. Lembranças da repórter de 22 anos que vos escreve, mas que poderiam ter acontecido hoje com as estudantes Maria**, 15, e Liz Poletto, 17.

A sorte de Maria e de Liz é que o “gorda” – antes visto como um xingamento – hoje é sinônimo de afirmação. Para algumas mulheres – que, juntas, estão deixando para trás julgamentos e dando um tapa na cara da sociedade – não importa o que os outros pensam (e impõem!). Miga, o corpo é seu: você não precisa ser magra para ser linda. Você é maravilhosa do jeito que é!

Além de acreditar que as diferenças tornam as pessoas bonitas, Liz faz parte das jovens que consideram diversidade como a palavra da vez. Ela dá até lição de empoderamento. “O corpo é seu. Você tem o direto de fazer com seu corpo o que você quiser. Ninguém tem o direito de dizer que você não pode fazer isso ou aquilo porque não tem o ‘corpo ideal’ ”, afirma.

Ela confessa que sempre teve que aguentar uma pressão para se encaixar nos padrões considerados ideais pela sociedade. “Já pensei em emagrecer porque as pessoas falavam, mas, a partir do momento que você se sente bem com seu próprio corpo, está tudo bem. Não importa o que as pessoas vão falar”, diz. Confira um trecho do depoimento de Liz:

Essa também é a filosofia das mulheres do movimento “Vai Ter Gorda”. Idealizado em 2012 pela produtora de eventos Érika Cadôr, 41, com o apoio da modelo plus size e produtora Helena Custodio, o evento “Vai Ter Gorda na Praia” – que começou no litoral de São Paulo – ganhou força e visibilidade neste ano em todo o país. A ação contou com atos em praias de Santos e Rio Claro (em São Paulo), Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Maceió, Florianópolis e Fortaleza. “A gente quer a inclusão da gorda na sociedade. No mercado de trabalho, por exemplo, as mais gordas sempre ficam de fora, inclusive no mercado plus size”, revela Érika.

A professora de educação física Telma Teodora, 48, que também faz parte do movimento “Vai Ter Gorda” em Salvador, chegou a ser demitida por conta do peso. “Disseram que eu não fazia o perfil para trabalhar na escola de ballet”. Na época, ela sofreu por ser professora de educação física e ser gorda. “Não tenho problemas de saúde. Dou aulas, pratico atividades físicas e me sinto bem. Sou feliz”, relata Telma.

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A produtora Érika Cadôr também passou por um momento triste na vida: engordou 20 quilos e teve depressão. Em 2011, começou a trabalhar no mercado plus size como fotógrafa. Hoje organiza eventos para o segmento e pretende abrir uma agência para mulheres gordas. Segundo ela, é comum que a mulher gorda só se assuma do jeito que é depois dos 30 anos e que, por isso, veículos de comunicação conscientes são importantes para dialogar diretamente com o público adolescente. “São muitos jovens gordinhos e gordinhas. É a fase em que ainda estão se conhecendo. Existe o bullying na escola e também das mães, que tentam fazer as meninas emagrecerem. Os argumentos são muitos: não vai arranjar namorado, não vai poder fazer isso, nem aquilo, etc”, conta.

Érika Cadôr idealizou o evento “Vai Ter Gorda na Praia”, em Santos. Foto: Ivy Freitas

Para Érika, falar “gorda” como algo normal é o primeiro passo para que as pessoas mudem a realidade do termo. “Quem coloca o peso na palavras são as pessoas. Gorda não é ofensa, é a constatação de um fato”, explica, acrescentando que a sociedade impõe o gordo como feio. Junto com outras mulheres, a produtora vem lutando por mais direitos para as mulheres plus size. “Muitos comentários são maldosos. Queremos elevar a autoestima das gordas, mudar o modo como elas se veem e mostrar que não é porque somos gordas que não nos amamos e não nos cuidamos”, explica.

Em Salvador, o ato foi organizado pelas participantes do movimento “Vai Ter Gorda”, que soma mais de 1,6 mil pessoas no grupo do Facebook. “Queremos que as pessoas se valorizem e se amem como são”, explica a produtora e funcionária pública Adriana Santos, de 31 anos, que lidera o movimento na Bahia e organizou os atos na praia. “Nós existimos, temos a nossa beleza e lutamos para que nos enxerguem e proporcionem uma maior acessibilidade. Temos que trabalhar as políticas públicas de forma que atendam toda a diversidade”, argumenta ela, que também é modelo plus size e a primeira Miss Plus Size da Bahia.

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Adriana Santos, de 31 anos, é referência plus size na Bahia. Foto: Milena Abreu

Segundo a psicóloga Paula Gonzaga, esse movimento de afirmação é “extremamente necessário e legítimo” e precisa se expandir para além dos ambientes universitários, virtuais e de classe média. “Mulheres continuam sucumbindo a gordofobia naturalizada, um exemplo disso é que as academias estão cada vez mais cheias, as clínicas cirúrgicas idem. Esse movimento de afirmação se forja em um dos momentos de maior investimento contra os corpos femininos”, argumenta ela, que é mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), e faz doutorado em Psicologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Paula Gonzaga, mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Ufba. Foto: Arquivo Pessoal

Ela ressalta que as contribuições do feminismo, principalmente do negro, são fundamentais para que as mulheres se organizem e questionem esse padrão de beleza e de saúde, que, segundo a especialista, é absurdo. “Ressalto o feminismo negro, pois é dele que vem a reivindicação que o corpo da mulher seja dela e que não tenha obrigação de satisfazer desejos e padrões externos. O movimento abre as portas para o questionamento dos modelos, dos interesses que fundamentam essas exclusões e redireciona para que outras pautas sejam levantadas, como a luta contra a gordofobia”, explica. Ela explica ainda que o movimento está muito ligado às redes sociais e à internet, que têm se constituído como um espaço de resistência.

Uma das mulheres que luta contra a gordofobia na Bahia é ex-bancária Rebecca Pontual, 33, que começou a se aceitar como gorda apenas em 2014. “Lutava contra isso e tentava ser magra. Na adolescência, por exemplo, fiz loucuras para alcançar um padrão que nunca consegui ser. Tinha vergonha, me sentia desconfortável. Foi quando entrei em um grupo no WhatsApp em que as mulheres eram gordinhas e que passavam por conflitos assim como eu. Foi uma troca que abriu minha mente”, conta, emocionada, ao falar sobre o processo de aceitação. “Eu pensei: Se quando eu era mais magra era admirada porque agora não posso? Eu posso e vou mostrar pro mundo que eu sou gorda e sou linda”, completa ela, que se tornou modelo depois de vencer o concurso A Mais Bela Gordinha da Bahia em 2015.

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A modelo plus size Rebecca Pontual dá grito de liberdade: “Sou gorda e sou maravilhosa”. Foto: Milena Abreu

Rebecca ressalta que sentiu o preconceito de perto. “Instituiu-se que a beleza é magra – como um dia já foi a gorda. Esse tipo de beleza, anoréxica, não é saudável”, argumenta. Ela acredita que as jovens estão ainda mais propícias a não se aceitarem por estarem em uma fase de transição. “Cada qual sabe da sua saúde e dos seus problemas. Não tenho nenhum – sempre acompanhei e cuidei da minha saúde desde criança. O meu Índice de Massa Corporal (IMC) não tem nada a ver com a minha beleza e com a minha saúde”.

A modelo Adriana também dá aula de autoestima. “Se amem, vocês são lindas e podem ser o que quiserem, independente do corpo. Ser gorda não te impede de estudar, namorar, curtir a vida e de fazer tudo que uma adolescente magra pode fazer. Você pode ser modelo, advogada, nutricionista… Não permita que comentários preconceituosos e gordofóbicos te atinjam”, argumenta. “Não dê ouvidos a algo que não vai te levar a lugar nenhum”, completa.

A pedagoga Susana Fontoura, 32, ressalta que cada pessoa tem a sua beleza. “As diferenças são importantes. São essas que fazem uma sociedade”, pontua. Ela lembra que a adolescência é uma fase conturbada, por isso as jovens estão mais propícias a sofrerem com o preconceito. “Além dessa indecisão, existe um processo hormonal. As adolescentes se importam mais com as coisas que a sociedade impõe. Não aceitem algo que não acreditam”.

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Susana Fontoura, 32, considera que as individualidades tornam as pessoas mais belas. Foto: Clarissa Pacheco

Por mais que hoje seja uma adolescente empoderada, Liz reconhece que é exceção. “Mas nós não estamos sozinhas. Tem muita gente que sofre as mesmas coisas que a gente e não precisamos nos sentir mal por isso”, diz, engatando que “a questão é ser do jeito que você é, do jeito que você gosta”. “Se você não estiver gostando, mude. Mas se estiver gostando e a outra pessoa falar algo… Problema é dela”.

Gordinha desde pequena, Liz já sofreu muito preconceito. “Estudei em um colégio que rolava uma zoeira. Mas, como eu era muito amiga das pessoas, ignorava. Quando mudei de colégio, percebi que o que acontecia não era legal. Nessa escola de hoje, as pessoas não ligam se você é gorda ou magra”, conta. Mas nem sempre foi assim. Até nesse colégio, Liz passou por uma situação nada agradável. “Eu tinha um grupo de amigas e descobri que elas faziam montagens com fotos minhas. A montagem, em si, me chateou, mas o fato de ter vindo delas doeu mais ainda. Eram minhas amigas, sabe? Eram pessoas que eu confiava. Cheguei em casa e chorei por dias. Depois pensei: ‘Não preciso delas pra viver’”, lembra. Hoje, ela nem é mais tão próxima dessas meninas.

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Dançarina, Liz Poletto, 17, conta que o peso não é uma barreira. Foto: Arquivo Pessoal

Essa foi apenas uma das histórias que a ajudaram a se dar mais valor e se aceitar do jeito que é. Dançarina de hip hop há 12 anos, Liz também já passou por situações constrangedoras por conta do seu peso. “Quando dançava em uma escola mais tradicional, destoava de uma forma não legal. Não me encaixava. Hoje, no Studio A, me sinto parte do todo. Ali tem de tudo”, revela. A mudança de escola de dança foi mais uma fase dela se aceitar do jeito que é. “Tem certos movimentos que não consigo fazer. Mas é normal, todo mundo ali tem alguma dificuldade”, confessa.

Se antes ela ficava chateada ao destoar dos colegas nas coreografias, hoje ela até gosta. “Quando me apresento, alguns pais e familiares de amigos falam: ‘Não sabia que você conseguia dançar tão bem’. A gente se apresentou em uma escola para especiais e fui como um referencial para eles. ‘Ela é diferente, mas e daí? Ela consegue’”, conta. Outra vez foi na escola de uma amigo mais novo, que é gordinho, e ele ficou feliz de ver uma conhecida, gorda, dançando. “Ele me abraçou, tirou foto, postou no face. É muito bom ser um diferente com que, de uma forma, alguns se identificam”, reflete.Como parte desse processo de aceitação, a estudante revela que passou a não se importar com a opinião alheia. “Não vou deixar de dançar porque sou gorda, mas também porque sei que eu dançando, sendo do jeito que sou, posso fazer com que alguém se inspire. Decidi que vou ter meus exames e me cuidar, mas meu corpo vai ficar do jeito que eu quiser. Se eu quiser continuar gordinha, vou continuar. Se não quiser mais, vou emagrecer. Simples. Gosto de mim do jeito que sou e não tem uma pessoa no mundo que me faça mudar. Se quiser gostar de mim, gosta. Se não quiser, não gosta”.

O que, para Liz, parece ser algo simples, para Maria é algo muito mais complexo. “Odeio ser gorda. Me olho no espelho e nenhuma roupa cabe. Minha mãe me fala para emagrecer o tempo todo. Queria, um dia, acordar e ser magra e feliz”, confessa.

Segundo a psicóloga Paula Gonzaga, a pressão que a estudante Maria passa faz parte de um processo de sexualização dos corpos femininos. “Aprendemos desde cedo que nossa aparência é um aspecto imprescindível através o qual seremos julgadas. Por mais competente que uma profissional seja, sua aparência ainda será algo que está em avaliação. Existe uma sexualização dos corpos femininos que os reduz a um compromisso com a satisfação dos homens dentro da lógica patriarcal. É o mesmo sistema que culpabiliza a vítima do estupro, que aponta a gorda que usa roupa justa”, explica.

Paula defende que os corpos femininos são vistos como objetos, produtos ambulantes na sociedade machista, onde os homens são potenciais interessados. “O peso, que é visto como desleixo no corpo feminino, é considerado charme no corpo masculino, porque este é socializado com um sistema de valores vinculados ao seu lugar de privilégio dentro da lógica sexista”, completa.

No caso das adolescentes, essa pressão pela aparência adquire contornos ainda mais perigosos, porque é uma fase onde se deseja muito a aceitação do grupo onde se está inserida. “As críticas, humilhações, desrespeitos podem adquirir contornos de sofrimento e exclusão graves. É importante não incorrer no erro de culpar as garotas. Comentários como: ‘se está incomodada, por que não emagrece?’ ‘mas tem gordinha que se garante’, não ajudam em nada”, diz.

Segundo Paula, é preciso salientar que emagrecer não é uma decisão simples e nem tampouco depende apenas da vontade própria. Também é fundamental pensar que, independente de como as pessoas reagem a ofensas, não ofender deve ser um princípio de respeito humano. “Se uma garota leva comentários ofensivos na esportiva, você não pode impor que todas assim o façam, nem admitir que, para essa garota, esse comentário não foi doloroso. Cada uma lida como pode e não é a conduta das meninas que devemos mudar, mas sim das pessoas que insistem em ofendê-las e humilhá-las”.

** Maria pediu para não ser identificada. Mas, depois de ler esta reportagem, esperamos que ela se arrependa