Mulheres falam da dificuldade de encontrar roupas plus size

Ao entrar numa loja de roupas e pedir uma informação sobre uma peça escutar: “não tem pro seu tamanho” é um constrangimento constante para boa parte das gordas. “E realmente não tem, porque as roupas raramente são disponibilizadas em tamanhos grandes e, quando são, escondem o corpo, como se fosse algo do que se envergonhar”, conta a psicóloga Paula Gonzaga, que foi gorda a maior parte da sua vida.

“A mulher gorda, assim como a mulher negra (o que me contempla duplamente), ocupa um lugar de desvalorização dentro do sistema sexista. É como se ser gorda, ser negra, lhe tornasse menos mulher”, completa. Ela conta que uma vez, na escola, organizaram um passeio para um parque aquático e uma colega a aconselhou a não ir. “Tudo para que eu não me se sentisse exposta, porque usaria biquíni”.

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Paula Gonzaga acredita que a mulher gorda ocupa um lugar de desvalorização na sociedade

A dificuldade para encontrar tamanhos plus size – que, no Brasil, inclui modelos a partir de 44 (pasmem!) – não é só de Paula. É também da estudante Liz Poletto, 17. “Ou você vai em alguma loja específica – que tem seu tamanho – o que muitas vezes é bizarro, porque as roupas não são legais; ou você tem que sair garimpando por aí aquela única peça que vai te caber. Tenho que ficar horas batendo perna”, conta.

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Liz conta que tem que bater muita perna para encontrar roupas estilosas do seu tamanho

Ela critica o fato das lojas, plus size ou não, não possuirem roupas estilosas. “Não sei o que se passa na cabeça das pessoas. Pensam: ‘é gordinha, tem que se cobrir. Ponto, acabou’. Não é bem assim. Eu quero me vestir bem, quero estar bem com meu corpo. É um saco achar calça jeans, vestido e até a farda do colégio – não ligo de pegar o modelo masculino, mas tem muita menina que liga e fica triste”, revela. Confira depoimento de Liz: