Precisamos falar sobre o privilégio magro

Essa semana a Ellen (@atleta_de_peso) fez uma publicação sobre o quão privilegiadas são as pessoas magras. Um perfil republicou a frase e nos comentários choveram relatos de mulheres dentro do padrão falando que não concordavam com o texto e dizendo o quanto sofreram por conta da pressão estética. Sim, o sofrimento e raiva são totalmente legítimos!

Mas vocês precisam abrir mão do privilégio e entender que as coisas complicam ainda mais quando o seu corpo não está no padrão! Não, não é uma ‘disputa’ por quem sofre mais. Cada um sabe de suas dores. Mas vocês precisam reconhecer de uma vez por todas que pessoas gordas, além dos direitos e oportunidades negadas diariamente, sofrem por conta do preconceito velado. A negação de direitos e a repulsa pelo corpo gordo é chamada de gordofobia.

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Thaís Carla participa de bate-papo gratuito sobre gordofobia nesta quarta (22)

Morando em Madre de Deus, na Bahia, desde maio de 2019, a dançarina, influenciadora digital e youtuber Thaís Carla, 28 anos, participará de seu primeiro encontro em Salvador nesta quarta-feira (22/01/2020). Organizado pela Mídia Ninja, o evento gratuito ‘Temos gordas sim!’ acontece às 19h, na Casa Ninja Bahia (em frente à Praça Colombo), no bairro do Rio Vermelho.

O bate-papo será mediado pela jornalista e ativista Naiana Ribeiro, criadora da primeira revista para mulheres gordas do país, contará também com a presença da psicóloga Laura Augusta, criadora da Rede Dandaras, e de Adriana Santos, coordenadora do movimento Vai Ter Gorda. Após o debate sobre gordofobia, acesso e direitos, o encontro terá um Meet & Greet com Thais.

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Bariátrica: Tem parente que me oferece a cirurgia ‘de presente’ até hoje

A busca pelo ‘corpo perfeito’ e a ditadura da magreza têm feito com que muitas pessoas busquem a gastroplastia – conhecida como cirurgia bariátrica, ou cirurgia de redução de estômago – com fins estéticos. Basta fugir um pouco do padrão de beleza considerado ideal pela sociedade que algum parente já pergunta: quando vai fazer bariátrica? Parece até algo normal, como comprar pão ou ir ao mercado. Mas não é. Quer dizer, não deveria ser.

Afinal, nem sempre quem faz esse procedimento está doente. Muitos desses pacientes são apenas gordos – e poderiam viver muito bem mantendo hábitos saudáveis e praticando atividades físicas. Esse é o lugar que me encaixo. Sou gorda, pratico exercícios físicos e todos os meus exames estão bons. Mas, desde pequena, ouço de familiares e até de amigos que a bariátrica ‘resolveria meu problema’. Tem parente que me oferece a cirurgia ‘de presente’ até hoje.

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Editora da PLUS, jornalista Naiana Ribeiro recebe homenagem na Câmara de Salvador

A jornalista Naiana Ribeiro é uma das homenageadas da sessão especial que será realizada nesta terça-feira (10 de setembro de 2019) no Plenário Cosme de Farias, da Câmara Municipal de Salvador (Praça Thomé de Souza, Centro). O encontro aberto ao público marca a comemoração do Dia do Gordo, celebrado nacionalmente em 10 de setembro, e está marcado para 18h30.

“A nossa luta é diária contra os diversos padrões e preconceitos que nos amarram. Ao contrário do que muita gente pensa, não queremos ‘implementar uma ditadura da gordura’. Queremos que a sociedade respeite não só os gordos como todas as minorias. Através do meu trabalho, mostro para as pessoas que o que importa é eles se sentirem bem consigo mesmas, independente do que digam sobre elas. Também discuto muito sobre a relação equivocada entre gordura e doença”, afirma a jornalista, que é repórter do jornal CORREIO e criou a PLUS, a primeira revista para gordas do país.

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Militantes contra gordofobia pedem medicina mais humana

Por Laura Fernandes

Quando quis engravidar, a consultora de imagem, curadora de moda plus size e mãe Kika Maia, 42 anos, ouviu do médico que seu marido, na época, não iria fazer um filho nela porque estava gorda. “Teve uma médica ginecologista, na mesma época, que disse que eu não poderia engravidar porque não era saudável”, lembra Kika sobre o estigma “gordo não é saudável”.

Adepta do exercício físico e da alimentação equilibrada, Kika optou por uma vida saudável para se prevenir do histórico familiar. Sua mãe tem diabetes e seu pai teve câncer três vezes.

“É possível a pessoa ser gorda e saudável, a partir do momento que cuida da alimentação e faz atividade física”, defende Kika. “Agora, eu não atendo ao estigma de saudável”, completa.

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Artigo: Não há espaço para a execração; saiba como denunciar ódio na web

Por Naiana Ribeiro*

Se antes as pessoas já opinavam sobre a vida alheia, com a internet – e principalmente com as redes sociais – isso se amplifica e muita gente acredita que pode se expressar sem filtros. Muitos, inclusive, saem por aí destilando ódio e fazendo ‘piadas’ que desrespeitam e machucam. Reconheço a potência das redes sociais. Através delas, recebo diariamente mensagens de mulheres e homens que se inspiram nas minhas postagens, se empoderam e se sentem representados. Esse mesmo meio que une e conecta, paradoxalmente, é usado para difundir ideais pautados no ódio e na intolerância. Portanto, na mesma proporção das mensagens positivas, tenho que lidar com comentários gordofóbicos e preconceituosos.

Percebo que o anonimato e a falsa sensação de impunidade estimulam que usuários soltem as amarras socialmente construídas e compartilhem desenfreadamente pensamentos racistas, misóginos, xenofóbicos, entre outras formas de discriminação contra as minorias políticas – o que é inadmissível em um Estado democrático de direito que respeita os Direitos Humanos. A falta de informação, semente do preconceito, também é perigosa nas redes sociais e gera verdadeiras tragédias na vida real. Bullying, isolamento, insegurança, depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico, ansiedade generalizada, automutilação e tentativa de suicídio são apenas algumas das consequências.

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