Najara Black: quando a moda é sinônimo de identidade e representatividade

*Por Luana Lima

Entre telefonemas e pausas para atender algumas clientes, Najara dos Santos Souza enche a nossa conversa de ensinamentos que os seus 33 anos lhe proporcionaram. Com toda a sua simpatia, ela faz com que a sua loja, a N Black, localizada ali na Carlos Gomes e a qual faz questão de administrar pessoalmente há mais de dez anos, se torne uma verdadeira casa para quem passa por lá. A moda começou a fazer parte da sua vida desde cedo através do seu gosto por customizar suas roupas para criar um jeito próprio de se vestir. Além disso, a sua mãe, Neide, tinha a costura como ofício. Na época, a jovem Najara, que nasceu em Cruz das Almas (BA), não imaginava que seria através da moda que ela transformaria a vida das pessoas, tampouco que seria idealizadora de uma marca que se tornaria uma das maiores referências em Salvador quando o assunto é Moda Afro.

Ela, que iniciou uma faculdade de design de moda e não concluiu, mal sabia sobre tecidos e sobre técnicas de como gerenciar uma marca, ouviu de tudo no início da sua carreira. “Não vai passar de um mês”. “É mais uma marquinha que chegou e não vai dar certo”. Essas foram algumas das frases. Porém, sempre guiada pelo seu lema de vida “eu quero, eu posso, eu consigo”, hoje trabalha para empoderar cada vez mais jovens afro através da moda. Conhecida como Najara Black, ela não tem dúvidas de que está no caminho certo para que a N Black seja cada vez mais entendida como um estilo de vida. Com a visibilidade que o seu trabalho vem ganhando, atualmente a estilista tem desenvolvido cada vez mais trabalhos em escolas, hospitais, eventos de empreendedorismo, servindo de inspiração e referência para outras pessoas.

Dona de um estilo bem marcante, Najara já passou pela fase de querer alisar o cabelo, não usar batom, usar roupas mais escuras. No entanto, o uso das cores, batons, estampas, são características que marcam sua nova atitude e modo de expressão da sua identidade. Ela defende que a escolha do que vestir ou usar diz muito sobre cada um e não acredita que deva ser algo ditado por “tendências”. Observadora e atenta, sua inspiração para criação dos produtos da N Black vem principalmente das ruas, das intervenções urbanas, do rap, da black music e de outros profissionais da área. Uma das principais mensagens que busca transmitir com o seu trabalho é que “moda é se sentir bem”.

(Foto: Helemozão)
(Foto: Helemozão)

O AFRO E PLUS SIZE

Com sensibilidade e olhar crítico perante o mercado plus size , Najara percebeu que, por mais que existisse a preocupação em pensar uma moda que representasse o público GG, esta ainda era cheia de estigmas. Foi a partir da vontade de criar peças mais descoladas – que valorizasse o decote da mulher e que pudesse demarcar a cintura, fugindo do padrão de associar a moda plus a roupas majoritariamente largas – que ela também trouxe para a N Black uma linha voltada para este público, pois acredita que sua marca deve “vestir todos”.

Quando o assunto é a jovem plus size dentro da cultura afro, ela afirma que se você é mulher, negra e gorda o preconceito é triplicado. Porém, acredita que é uma causa que vem ganhando visibilidade, mesmo que ainda sinta falta de representatividade no que diz respeito a blogueiras negras e plus size, por exemplo. A falta de tempo, no entanto, lhe impede de criar um blog que aborde essa causa.

Quando questionada sobre uma mensagem que gostaria de deixar ao seu público, Najara traduz, em três simples palavras, algo grandioso – assim como a sua trajetória: Se ame mais!

 

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