‘Gordos não são necessariamente doentes’, defende nutricionista

Autora do blog e canal do YouTube Não Sou Exposição, a nutricionista Paola Altheia conversou comigo para uma matéria do CORREIO. Ela me falou que não concorda com condutas pautadas no medo, na proibição e na culpa. “Acredito na gentileza e no poder da permissão. Meu objetivo é promover saúde”, afirma. Também esclareceu dúvidas sobre a relação entre peso e saúde. Confira.

Todo gordo é doente? 
De maneira alguma. Pessoas gordas não são necessariamente doentes assim como pessoas magras não são necessariamente saudáveis. Muitos parâmetros precisam ser avaliados. Os principais fatores de risco para doenças crônicas (que magros também podem ter) são: sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada e consumo recorrente de bebida alcoólica. É uma questão de hábitos, não apenas de peso.

Dá para ser gordo e saudável?
Sim. É perfeitamente possível ser gordo e saudável. O adoecimento acontece como consequência das escolhas cotidianas. Pessoas gordas que se alimentam bem, praticam atividade física, evitam drogas e sabem administrar as emoções são mais saudáveis do que magros sedentários que fumam, são inativas e comem frituras habitualmente.

A maior parte das pessoas relaciona questões de peso à má alimentação. Quais outros fatores podem interferir nisso?
O peso corporal não é construído apenas da alimentação. Uma série de fatores estão envolvidos. Genética, composição corporal, uso de medicamentos, balanço hormonal, sexo e idade, grau de atividade física, taxa metabólica, questões psicológicas, mentais e emocionais, aspectos socioculturais, grau de instrução, poder aquisitivo, cultura, ambiente familiar… São inúmeros fatores que se combinam e coexistem. Acreditar que ser gordo é apenas comer demais é um pensamento extremamente simplista.

Quais dicas você dá para pessoas gordas que querem manter uma rotina de exercícios e alimentação sem necessariamente ter emagrecimento como objetivo?
Consciência à longo prazo é muito melhor do que propostas radicais a curto prazo. Muitas pessoas desanimam da busca por hábitos saudáveis por causa de pensamentos dualistas (“tudo ou nada”). O autocuidado não deve ser visto como castigo ou sacrifício. É importante termos uma rotina saudável de alimentação e exercícios para termos saúde, longevidade e vitalidade. O melhor estímulo é a melhora gradual e a celebração do que o corpo é capaz de realizar. Esqueça a perfeição e invista no progresso.

Leia o texto dela sobre a “valorização da obesidade” e todos os problemas que ela pode causar

Na última semana, ela também falou sobre autoaceitação em seu perfil do Instagram. Veja a postagem completa.

*Matéria feita por mim e publicada originalmente no jornal CORREIO

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