Pole dance ajuda praticantes a superar limites e a acreditar em si mesmos

Os mais desavisados podem pensar que é “coisa de dançarina exótica”. E se for, qual o problema? Mas, pole dance é muito mais do que mulheres dançando sedutoramente em volta de um tubo de aço inox. Reconhecida como esporte pela Associação Global das Federações Esportivas Internacionais (GAISF) em outubro do ano passado, a modalidade combina dança, acrobacias, além de exigir muita força, flexibilidade e dedicação. Democrática, a dança trabalha toda a musculatura do corpo e traz inúmeros benefícios para o bem-estar físico e mental dos praticantes. Veja onde fazer abaixo.

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Vítima de bullying, atriz de Malhação Guilhermina Libanio vira referência e pede mais gordas na TV

A atriz Guilhermina Libanio, 20 anos, é a única gorda de sua geração em uma novela da TV Globo. Assim, em pouco tempo, a jovem virou referência para jovens que buscam identificação e representatividade na televisão. Protagonista desta quinzena de Malhação – Vidas Brasileiras, ela usou experiências pessoais para compor o papel de uma vítima de bullying. Em entrevista ao site Notícias da TV, do UOL, Guilhermina destaca que ainda falta muita representatividade gorda nas novelas.

“Principalmente de gordas como protagonistas. Sinto falta de mulheres fazendo papéis em que ser gorda não é uma questão, entende? Eu espero que daqui pra frente possamos ver mulheres gordas, sensuais e bem-sucedidas, gordas fazendo a mocinha, a vilã. Vamos sair do estereótipo de gorda engraçada”, clama.

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Nenhuma modelo gorda cruzou a passarela na SPFW

Estava dando um rolê pela net e encontrei esse texto incrível da jornalista  Thamires Tancredi sobre o São Paulo Fashion Week (SPFW). É que, após dar um show de representatividade nas últimas duas edições – trazendo Bia Gremion, Akeen Kimbo e MC Carol nos desfiles da Laboratório Fantasma; e Fluvia Lacerda nas passarelas de Ronaldo Fraga – parece que tínhamos uma luz no fim do túnel do principal evento de moda do país.

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Tá tendo gorda! Baianas inspiram e combatem preconceitos nas ruas e na web

Participar do primeiro ato do Movimento Vai Ter Gorda em Salvador e ver outras mulheres gordas felizes com seus corpos me fez, pela primeira vez, sentir 100% segura com o meu. Há cerca de dois anos, o contínuo processo de autoaceitação (não confunda com comodismo) tem sido meu maior aliado. Amo meu corpo e o reconheço como um instrumento político que quebra barreiras. Com 15 mil seguidores no Instagram, sou apenas um exemplo de que, em meio à ditadura do corpo magro, ser gorda e se orgulhar disso é combativo e muda vidas.

(Foto: Arquivo pessoal)

Cheias de amor próprio, exalando bem-estar e com histórias inspiradoras, baianas gordas inspiram milhares de pessoas com discursos políticos nas ruas e na web. Mostram que estar fora do padrão considerado ideal pela sociedade não é sinônimo de doença ou feiura: é possível ser gorda, se sentir bem com o corpo e manter hábitos saudáveis.

A chegada do Vai Ter Gorda na Bahia, que comemora dois anos neste mês, pode ser considerada um marco na cena gorda local. Desde então, mais mulheres têm passado pelo processo de autoaceitação, fundamental na construção de uma autoestima saudável e do amor-próprio. “Muitas tinham vergonha e não têm mais. Estamos conseguindo chamar atenção da sociedade e desconstruir preconceitos”, avalia Adriana Santos, coordenadora do Movimento. Empoderar mulheres e questionar padrões, entretanto, é um trabalho de formiga, já que os empecilhos enfrentados por pessoas gordas estão em todos os lugares. “É uma luta difícil”, resume.

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Adriana Santos, 33, faz balanço do Movimento no estado
(Foto: Milena Abreu/Divulgação)

Apesar de afrontoso, esse movimento de afirmação das pessoas gordas é “extremamente necessário”, como destaca a psicóloga Paula Gonzaga. “A expansão dessa luta está ligada às redes sociais e à internet, que são espaços de resistência. Tem ainda contribuições do feminismo,  fundamentais para que as mulheres se organizem e questionem esse padrão de beleza e de saúde absurdo”, explica ela, que é doutora em Psicologia Social e mestre em Estudos sobre Mulheres, Gênero e Feminismo.

Representatividade
Além dessa movimentação, a formação da autoestima das gordas na Bahia tem grande influência da crescente representatividade na TV, nas artes e nas redes sociais. Ver mulheres fortes e bem realizadas – como a dona do hit Que Tiro Foi Esse, Jojo Todynho, que é gorda, negra e está bombando no país – afeta na forma como nós, pessoas gordas, nos vemos.

Figuras locais também se destacam ao mostrar que peso não limita ninguém de ser o que quiser. Pioneira na luta contra a gordofobia (preconceito contra pessoas gordas) na Bahia, a grafiteira vegana Sista Katia, 31, defende que são as pessoas que colocam peso na palavras. “Gorda é só uma característica, sou  mais que isso. Como o corpo é o nosso maior instrumento, penso que temos que cuidar dele fisicamente e mentalmente para não perder essa guerra”, afirma ela, que curte meditar e pratica atividades físicas: “Me ajuda a respirar melhor. Tenho uma alimentação equilibrada, bebo muita água e caminho muito”. No Instagram, posta fotos com looks diferentes, mensagens empoderadas, além de receber relatos sobre o quanto inspira mulheres.

Sista Katia (@sistakatia)
Grafiteira e vegana, Sista Kátia tem 31 anos e é de Cajazeiras. Com mais de 12 mil seguidores no insta, ela posta fotos de looks diversos e mostra sua vida sem filtros e maquiagem no Stories. Antes do movimento ‘Vai ter gorda’ pousar na capital, ela chegou a promover encontros de gordas

(Foto: Reprodução/Instagram)

Assim como Sista, a trancista Erica Almeida, 27, coloca o corpo pra jogo e empodera outras mulheres gordas nas redes sociais.  “Falo bastante sobre aceitação e, nas fotos, transmito que a gordas podem tudo: usar biquíni, decote, roupa colada, etc. A sociedade é tão preconceituosa que gordo vira algo feio. Mas, quem disse isso?”, questiona. Para ela, mais importante do que se aceitar, é não se guiar pelo padrão estético dos outros: “Não faço apologia à obesidade. Digo para se encaixarem no que acham melhor para elas. Se emagrecer é o melhor pra você, não vejo problemas”.

Erica Almeida (@negritaalmeida)
Você quer lacração? A trancista Erica Almeida, de 27 anos, mostra que gordas podem ser e fazer o que quiserem  – incluindo usar biquínis cavados, roupas coladas e decotadas. Também aparece nos Stories dando dicas de aceitação

(Foto: Reprodução/Instagram)

Com 25 mil seguidores nas redes, a modelo Bell Rocha, 27, sempre foi gorda e revela sofrer menos preconceito do que mulheres com cintura maior, como Erica: “Tudo porque sou uma ‘gorda aceitável’ (com peitos e quadris largos e cintura fina) o que também é ridículo. Sempre discuto isso e mostro que gordo também é bonito”.

Bell Rocha (@bell_rocha)
Bell Rocha, 27 anos, trabalha como modelo plus size e mostra em seu perfil do Instagram que gordas também são belas e  que não são doentes. Ela tem mais de  25 mil seguidores
(Foto: Reprodução/Instagram)

Quem também revolucionou a cena foi a produtora cultural Carla Galrão, 25. No perfil @gordaroupa, ela traz garimpos de moda e serve de conselheira para mais de 10 mil pessoas:

“Ajudo mulheres que, como eu, têm dificuldade de achar roupas e converso muito com elas. Uma vez, uma mãe contou que a filha 7 anos queria cortar a própria barriga. Ela mostrou minha foto, a criança me achou bonita e se reconheceu. Isso é representatividade e aconteceu comigo, quando vi gordos invadindo espaços”.

Carla Galrão (@gordaroupa)
Com mais de 10 mil seguidores em seu instagram, a produtora cultural Carla Galrão, 25 anos, dá dicas de onde mulheres gordas podem encontrar roupas e acessórios em conta em salvador. Entre os garimpos, peças de grandes lojas de departamento e de lojas de rua. Por lá, ela sempre conversa com suas seguidoras sobre autoestima e aceitação e problematiza questões atuais

(Foto: Reprodução/Instagram)

Carla chegou a tomar remédios sem receita e fazer dietas abusivas até perceber que ser gorda não é um problema. “Achava que só ia ser feliz se emagrecesse. Me aceitei quando me entendi gorda. Mas nem sempre estou bem. O empoderamento é  diário e que nunca acaba. Por isso, é importante ver que existem pessoas como você. Apesar da aceitação ser um processo interno, a inspiração vem do ambiente externo”, diz.

Aceitação
Processo comum às baianas aqui citadas, a autoaceitação – ao contrário do que muita gente pensa – abre portas para uma vida digna. É o que defende a nutricionista Paola Altheia: “Pessoas que passaram a vida se envergonhando e não se permitindo um monte de experiências estão vivendo com mais felicidade e qualidade. No entanto, já ouvi inúmeros relatos das consequências nefastas da não aceitação do corpo gordo: bullying, isolamento, depressão, sedentarismo, compulsão alimentar, bulimia, síndrome do pânico, ansiedade, negligência médica, automutilação e tentativa de suicídio. Se existe algo na sociedade que deve despertar a nossa preocupação é a intolerância. Gordas não causam a morte de ninguém”.

Paola Altheia defende que pessoas gordas não são necessariamente doentes
(Foto: Reprodução/Instagram)

*Matéria feita por mim e publicada originalmente no jornal CORREIO

Mulheres falam da dificuldade de encontrar roupas plus size

Ao entrar numa loja de roupas e pedir uma informação sobre uma peça escutar: “não tem pro seu tamanho” é um constrangimento constante para boa parte das gordas. “E realmente não tem, porque as roupas raramente são disponibilizadas em tamanhos grandes e, quando são, escondem o corpo, como se fosse algo do que se envergonhar”, conta a psicóloga Paula Gonzaga, que foi gorda a maior parte da sua vida.

“A mulher gorda, assim como a mulher negra (o que me contempla duplamente), ocupa um lugar de desvalorização dentro do sistema sexista. É como se ser gorda, ser negra, lhe tornasse menos mulher”, completa. Ela conta que uma vez, na escola, organizaram um passeio para um parque aquático e uma colega a aconselhou a não ir. “Tudo para que eu não me se sentisse exposta, porque usaria biquíni”.

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Paula Gonzaga acredita que a mulher gorda ocupa um lugar de desvalorização na sociedade

A dificuldade para encontrar tamanhos plus size – que, no Brasil, inclui modelos a partir de 44 (pasmem!) – não é só de Paula. É também da estudante Liz Poletto, 17. “Ou você vai em alguma loja específica – que tem seu tamanho – o que muitas vezes é bizarro, porque as roupas não são legais; ou você tem que sair garimpando por aí aquela única peça que vai te caber. Tenho que ficar horas batendo perna”, conta.

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Liz conta que tem que bater muita perna para encontrar roupas estilosas do seu tamanho

Ela critica o fato das lojas, plus size ou não, não possuirem roupas estilosas. “Não sei o que se passa na cabeça das pessoas. Pensam: ‘é gordinha, tem que se cobrir. Ponto, acabou’. Não é bem assim. Eu quero me vestir bem, quero estar bem com meu corpo. É um saco achar calça jeans, vestido e até a farda do colégio – não ligo de pegar o modelo masculino, mas tem muita menina que liga e fica triste”, revela. Confira depoimento de Liz: