Precisamos falar sobre o privilégio magro

Essa semana a Ellen (@atleta_de_peso) fez uma publicação sobre o quão privilegiadas são as pessoas magras. Um perfil republicou a frase e nos comentários choveram relatos de mulheres dentro do padrão falando que não concordavam com o texto e dizendo o quanto sofreram por conta da pressão estética. Sim, o sofrimento e raiva são totalmente legítimos!

Mas vocês precisam abrir mão do privilégio e entender que as coisas complicam ainda mais quando o seu corpo não está no padrão! Não, não é uma ‘disputa’ por quem sofre mais. Cada um sabe de suas dores. Mas vocês precisam reconhecer de uma vez por todas que pessoas gordas, além dos direitos e oportunidades negadas diariamente, sofrem por conta do preconceito velado. A negação de direitos e a repulsa pelo corpo gordo é chamada de gordofobia.

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Sim, Adele está mais magra. E daí?

Por Naiana Ribeiro

Cinco meses depois de um hiato no Instagram, a cantora britânica Adele publicou nesta quarta-feira (06/05/2020) uma foto de corpo inteiro, celebrando seu aniversário.

Mais do que muitas felicitações pelos seus 32 anos, a publicação da artista teve quase 10 milhões de curtidas e mais de 207 mil comentários que se dividiram entre elogios e críticas ao corpo da cantora. Teve muita gente comentando “como ela está bonita que está mais magra”.

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Bariátrica: Tem parente que me oferece a cirurgia ‘de presente’ até hoje

A busca pelo ‘corpo perfeito’ e a ditadura da magreza têm feito com que muitas pessoas busquem a gastroplastia – conhecida como cirurgia bariátrica, ou cirurgia de redução de estômago – com fins estéticos. Basta fugir um pouco do padrão de beleza considerado ideal pela sociedade que algum parente já pergunta: quando vai fazer bariátrica? Parece até algo normal, como comprar pão ou ir ao mercado. Mas não é. Quer dizer, não deveria ser.

Afinal, nem sempre quem faz esse procedimento está doente. Muitos desses pacientes são apenas gordos – e poderiam viver muito bem mantendo hábitos saudáveis e praticando atividades físicas. Esse é o lugar que me encaixo. Sou gorda, pratico exercícios físicos e todos os meus exames estão bons. Mas, desde pequena, ouço de familiares e até de amigos que a bariátrica ‘resolveria meu problema’. Tem parente que me oferece a cirurgia ‘de presente’ até hoje.

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Artigo: Não há espaço para a execração; saiba como denunciar ódio na web

Por Naiana Ribeiro*

Se antes as pessoas já opinavam sobre a vida alheia, com a internet – e principalmente com as redes sociais – isso se amplifica e muita gente acredita que pode se expressar sem filtros. Muitos, inclusive, saem por aí destilando ódio e fazendo ‘piadas’ que desrespeitam e machucam. Reconheço a potência das redes sociais. Através delas, recebo diariamente mensagens de mulheres e homens que se inspiram nas minhas postagens, se empoderam e se sentem representados. Esse mesmo meio que une e conecta, paradoxalmente, é usado para difundir ideais pautados no ódio e na intolerância. Portanto, na mesma proporção das mensagens positivas, tenho que lidar com comentários gordofóbicos e preconceituosos.

Percebo que o anonimato e a falsa sensação de impunidade estimulam que usuários soltem as amarras socialmente construídas e compartilhem desenfreadamente pensamentos racistas, misóginos, xenofóbicos, entre outras formas de discriminação contra as minorias políticas – o que é inadmissível em um Estado democrático de direito que respeita os Direitos Humanos. A falta de informação, semente do preconceito, também é perigosa nas redes sociais e gera verdadeiras tragédias na vida real. Bullying, isolamento, insegurança, depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico, ansiedade generalizada, automutilação e tentativa de suicídio são apenas algumas das consequências.

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