Thaís Carla e Tatiana Lima deram um show com Anitta no Rock in Rio Lisboa

O Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa recebeu no domingo (24 de junho) a cantora Anitta. A brasileira deu o que falar em sua apresentação. Chegou logo vestida com um look Dolce & Gabbana inspirado em Carmen Miranda – cheia de lantejoulas douradas dos pés à cabeça – e fez o público enlouquecer no primeiro final de semana do evento.

Mas não foi só a carioca que chamou atenção e arrancou gritos da plateia. As duas bailarinas gordas do corpo de dançarinos de Anitta, Thaís Carla e Tatiana Lima, protagonizaram um dos momentos altos da apresentação. Elas dançaram maravilhosamente bem, rebolaram e representaram muito em terras portuguesas.

Mostraram, mais uma vez, que seus corpos não as impedem de nada!

Jessie J emociona no clipe de Queen com mulheres poderosas e diversas

Se você ainda não viu ao clipe de Queen – lançado há uma semana por Jessie J – pare tudo o que estiver fazendo e assista agora, sério. A princípio, o que mais parece um vídeo egocêntrico – com show de poses e carões por parte da artista – se transforma em um verdadeiro espetáculo de diversidade.

Lançado no ano passado, o single fala de amor próprio (veja tradução abaixo). O vídeo ilustra bem a canção, que busca o empoderamento feminino a partir de aumento da autoestima (“eu amo meu corpo, amo minha pele, eu sou uma deusa, sou uma rainha”, diz o refrão).

Além da cantora, que é conhecida por celebrar e militar a favor da diversidade em sua carreira, aparecem ainda várias mulheres com biótipos distintos e particularidades físicas. Apesar de simples e feito em estúdio, com poucos elementos, o clipe emociona por sua mensagem poderosa. Assista.

Confira a tradução da letra da música.

Rainha

Pare de brincar com seu corpo, moça
Pare de sentir que não é suficiente
Pare de alimentar os odiadores
Pare e dê-se um pouco de amor

Pare de olhar para o espelho ficando desbotado
Dizendo que você não se apaixonará
Pare de confiar em todos esses idiotas falsos
Confie em mim, eles não estão nem aí

Eu cansado de ver isso
Estou cansado de sentir isso
O mundo diz que a beleza está mudando
Foda-se, é falsa expectativa
E não a realidade
Vamos ficar nus
Comece a meditar
Sinta-se elevado e diga

Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha
Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha

Pare de perseguir todo o sensacionalismo, minha menina
Pare de tentar mudar quem você é
Pare de se cortar por fora (fora)
Quando o interior nunca está marcado
Porque não pode ser curado com algo materialista
Não pode ser curado por um homem que fica distante
É mais profundo
Salve-se antes de se trair

Eu cansado de ver isso
Estou cansado de sentir isso
O mundo diz que a beleza está mudando
Foda-se, é falsa expectativa
E não a realidade
Vamos ficar nus
E comece a meditar
Sinta-se elevado e diga

Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha
Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha

Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha
Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha

Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha
Eu amo meu corpo
Eu amo minha pele
Eu sou uma deusa
Eu sou uma rainha

Corpo
Pele
Deusa
Rainha
Corpo
Pele
Deusa
Rainha

Seu novo álbum, R.O.S.E., é bem pessoal e foi dividido em quatro EPs. Confira o nome das partes:

R. – Realisations
O. – Obsessions
S. – Sex
E. – Empowerment

Ouça abaixo.




Qual a importância de 13 Reasons Why?

O texto contém spoilers do último episódio da segunda temporada de 13 Reasons Why. Não leia se não quiser saber o que acontece.

Mesmo que você não seja fã de 13 Reasons Why, da Netflix, deve reconhecer a importância da série não só para a prevenção ao suicídio, mas também para a discussão de temas como abuso sexual e bullying. Apesar de trazer questões delicadas e dividir opiniões sobre a sua abordagem, a trama sobre o suicídio da adolescente Hannah Baker influencia diretamente no aumento da quantidade de pessoas que procura informações sobre o tema e até ajuda psicológica.

Um exemplo disso é que, após a estreia de primeira temporada da série, o Centro de Valorização da Vida (CVV) registrou um aumento de 445% nos pedidos de ajuda recebidos. O site da entidade — que se dedica à prevenção do suicídio por meio do apoio emocional — teve uma alta de 170% na média de visitantes por dia. As buscas pela palavra “suicídio” no Google também aumentaram 100% no Brasil na terceira semana de abril de 2017 – cerca de um mês após a estreia da série – na comparação com o mesmo período de 2015.

A primeira parte da trama também chamou atenção para o silêncio da sociedade em relação ao tema. Considerado um problema gravíssimo de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio deve ser considerado uma prioridade global. A OMS considera que ações estratégicas de prevenção são necessárias, assim como a quebra de estigmas e tabus que rodeiam o assunto.

Segunda temporada de 13 Reasons: mãe de Hannah, Olivia processa escola da filha por bullying
(Foto: Beth Dubber/Netflix/Divulgação)

“Cerca de 90% dos suicídios são evitáveis. Temos um problema de saúde pública e podemos nos prevenir quanto a ele”, afirmou Robert Paris, presidente do CVV à revista Galileu. “Quanto mais falarmos sobre o assunto, mais pessoas conseguiremos ajudar”, completou Karen Scavacini, psicóloga do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção ao Suicídio, em entrevista ao mesmo veículo.

Segunda temporada e cenas de estupro
Com a chegada da segunda temporada de 13 Reasons na última sexta-feira (18), as discussões sobre suicídio, estupro e bullying voltam à tona e reacende-se a polêmica sobre como tratar esses temas sem incentivar imitações no mundo real. Fato é que, quanto maior o silêncio e segredo em torno de um assunto tabu, pior para quem lida com ele. Pelo menos é o que acredita o criador da série, Brian Yorkey. “Falar sobre isso é muito melhor que o silêncio”, defendeu, em entrevista à Vulture.

Yorkey se posicionou após críticos e fãs da série expressaram sua indignação com uma cena violenta de estupro no final da segunda temporada. Nessa temporada, a trama acontece no colégio Liberty High alguns meses após a morte de Hannah (Katherine Langford). O público acompanha o julgamento no tribunal, movido por Olivia (Kate Walsh) e Andy (Brian d’Arcy James) contra o colégio. As consequências da morte de Hannah são mostradas, assim como as versões de cada um dos personagens que apareceram nas 13 fitas da primeira temporada. No último episódio, o solitário Tyler (Devin Druid) é sodomizado com um esfregão. O ataque, que deixa Down sangrando e machucado, o leva a aparecer em sua escola com um rifle de assalto carregado. O criador defendeu a cena e garante que foi incluída para iniciar uma conversa sobre a violência sexual contra homens no ensino médio e não para valor de choque.

“Estamos empenhados neste programa em contar histórias verdadeiras sobre as coisas pelas quais os jovens passam de uma forma tão inflexível quanto possível. Entendemos perfeitamente que isso significa que algumas das cenas do programa serão difíceis de assistir ”, disse ele em um comunicado: “Acredito que o Netflix ajudou a fornecer aos espectadores muitos recursos para entender que esse pode não ser o programa para todos, e também recursos para as pessoas que assistem e estão com problemas e precisam de ajuda”. Assim como à Yorkey disse que a cena deve iluminar um tópico que as pessoas costumam ignorar.

Clay (Dylan Minnette) conversa com o fantasma de Hannah (Katherine Langford)
(Foto: Divulgação)

Assim como as cenas de estupro e suicídio da primeira temporada, ele acredita que a cena de Tyler deve iluminar um tópico que as pessoas costumam ignorar. “Mas o fato é que, por mais intensa que seja essa cena, e tão forte quanto nossas reações a ela podem ser, ela nem chega perto da dor experimentada pelas pessoas que realmente passam por essas coisas”, disse ele.

Ele continuou: “Quando falamos sobre algo ser ‘nojento’ ou difícil de assistir, muitas vezes isso significa que estamos atribuindo vergonha à experiência. Nós preferimos não ser confrontados com isso. Preferimos que fique fora de nossa consciência. É por isso que esses tipos de ataques são subnotificados. É por isso que as vítimas têm dificuldade em procurar ajuda. Acreditamos que falar sobre isso é muito melhor que o silêncio ”.

O estudante Tyler é atacado por Montgmomery e mais dois jogadores de futebol no banheiro da escola. Os garotos o seguram com a cabeça em um vaso sanitário enquanto o estupram com o cabo de um esfregão, que surge ensanguentado. Tyler é deixado ferido no chão, e mais tarde aparece armado no baile da escola, com a intenção de atirar contra seus algozes
(Foto: Divulgação)

Em sua primeira temporada, o seriado foi duramente criticado por mostrar cenas de suicídio e estupro de forma explícita. No caso, porém, as vítimas eram mulheres. “A cena muito, muito intensa do suicídio de Hannah parece ter ofuscado o fato de que Hannah e outra garota foram violentamente estupradas na primeira temporada. Se há uma reação mais forte a essa cena [de Tyler], sendo difícil de assistir, nojenta ou inapropriada, então chega-se ao ponto em que temos de falar que coisas assim acontecem. O fato de que isso seja de certa [considerado] mais nojento do que o que aconteceu com Hannah e Jessica… estou chocado, mas não surpreso”.

Apesar do posicionamento do criador da série, especialistas defendem que essas cenas não deveriam ser mostradas de forma tão explícita, já que podem gerar impactos negativos em quem lê, ouve ou assiste a reproduções de violência, sexo ou morte, desencadeando fortes processos emocionais complexos. “Uma cena de suicídio pode causar muitos impactos na vida de um jovem por meio do gatilho, especialmente quando esses jovens estão fragilizados, angustiados e perdidos nas questões cotidianas, sem apoio e orientação, desconectados com a vida”, afirmou a psicoterapeuta Alessandra Ramasine à Galileu. Ela acredita que a série é útil ao lançar um alerta sobre o problema a pais, professores e amigos, mas prejudicial ao retratar o ato de forma extremamente realista.

Mensagem na nova temporada
Levando em consideração algumas das críticas, a Netflix passou a exibir no começo de cada episódio desta temporada um vídeo de alerta com alguns membros do elenco, como Dylan Minnette, Katherine Langford, Alisha Boe e Justin Prentice. Veja o que eles dizem:

“13 Reasons Why é uma série de ficção que lida com dificuldades, questões do mundo real, tratando de violência sexual, abuso de substâncias, entre outros. Ao acender uma luz sob esses tópicos difíceis, nós esperamos que nosso show possa ajudar espectadores a começar uma conversa. Mas se você está lutando contra essas questões, essa série pode não ser boa para você, ou você pode querer vê-la com um adulto de confiança. Se você já sentiu a necessidade de ter alguém para conversar, aproxime-se de seus pais, amigos, um conselheiro escolar ou um adulto em que confie. Ligue para uma linha de assistência local ou vá em 13reasonswhy.info, pois no minuto em que você começa a falar sobre, fica mais fácil”.

Jessica Davis vive traumatizada após ser violentada por Bryce
(Foto: Beth Dubber/Netflix/Divulgação)

De passagem pelo Brasil, os atores Christian Navarro, Alisha Boe e Brandon Flynn conversaram com o portal AdoroCinema e falaram que o abuso sexual e como sobreviver com esta marca é dos temas mais relevantes neste ano. “Você percebe o quanto isso te afeta por tanto tempo e o quão difícil realmente é se recuperar […] e a audiência vai poder passar por isso com ela. Porque muitas vezes quando vemos mulheres sendo abusadas na televisão, nós só vemos aquilo e não o que vem depois. E o depois é parte mais importante. Foi muito empoderador poder fazer esse personagem num momento tão relevante para a nossa sociedade atual”, contou Alisha, que vive a jovem Jessica Davis. Na etapa da trama, sua personagem vive muito traumatizada com o estupro que sofreu de Bryce Walker. Confira vídeo da entrevista.

*Reportagem minha publicada no jornal CORREIO

Pole dance ajuda praticantes a superar limites e a acreditar em si mesmos

Os mais desavisados podem pensar que é “coisa de dançarina exótica”. E se for, qual o problema? Mas, pole dance é muito mais do que mulheres dançando sedutoramente em volta de um tubo de aço inox. Reconhecida como esporte pela Associação Global das Federações Esportivas Internacionais (GAISF) em outubro do ano passado, a modalidade combina dança, acrobacias, além de exigir muita força, flexibilidade e dedicação. Democrática, a dança trabalha toda a musculatura do corpo e traz inúmeros benefícios para o bem-estar físico e mental dos praticantes. Veja onde fazer abaixo.

Embora no Brasil exista um maior número de atletas de Pole Fitness, com foco em campeonatos, desde que chegou em Salvador, em 2009, a prática ganhou espaço com a modalidade artística, que privilegia também os movimentos coreográficos. “É uma atividade física como outra qualquer, que tem uma parte mais lúdica. Todo mundo pode fazer, independente da idade e do peso”, explica a professora Erika Thompson, 29 anos, que possui um estúdio na capital baiana e dá aulas para homens e mulheres: “A limitação, de achar que não consegue fazer, está na cabeça das pessoas”, diz. Assista trecho de apresentação de Erika.

Força nos braços, definição muscular do abdômen, da coxa, dos glúteos e das pernas são algumas das vantagens do pole para os praticantes. “A curto prazo, as pessoas já conseguem ter um ganho de força, porque trabalham o corpo como um todo. A evolução na coordenação motora também é notória, assim como a perda de peso”, diz Erika.

Erika (esquerda) e seus alunos
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Entre os benefícios do pole dance, ela cita ainda o aumento na qualidade do sono, trabalho constante da respiração, postura e equilíbrio, além de queima de calorias: “Muitas vezes emagrecer não é um objetivo, mas acaba sendo uma consequência. Com a aceleração do metabolismo, os alunos ganham massa magra”.

Autoestima
Além de verem claramente as mudanças físicas após iniciarem a prática, boa parte dos dançarinos – principalmente mulheres – cita que o maior ganho com o esporte é a elevação da autoestima. Isso porque estão constantemente se desafiando e superando limites. “Você descobre do que é capaz e vê que, na verdade, você consegue fazer tudo. Claro que tem um tempo para aprender, mas, com dedicação, a gente percebe que realmente não tem nada que não consigamos fazer. Quando a ficha cai – de que, com treino, tudo é possível – você sente muito prazer naquilo. É muito divertido”, exalta a estudante Alice Suzart, 23.

(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Ela, que também é professora de francês, começou a fazer pole em 2013, a convite de duas amigas, e hoje é instrutora. “Achava que era algo impossível, que não teria força o suficiente. Mas gostei muito e, desde então, é uma paixão. Fui vendo meu corpo se transformar – ficando mais forte, melhorando meu condicionamento – e me senti cada vez mais à vontade e mais confiante”, lembra ela, que já ganhou medalha em um campeonato nacional. Confira um vídeo enviado para uma competição na categoria ‘amador’, em 2015.

Com a autoconfiança e mudança de visão em relação ao próprio corpo, veio ainda com uma percepção diferente da sensualidade dos corpos e da beleza natural dos movimentos. “O pole abre a cabeça. Você aprende a se encarar no espelho e a ver muita pele, e isso se torna cada vez mais natural. Coisas que antes você rejeitava – como um pneuzinho ou uma celulite, você passa a aceitar, porque você vê aquilo como natural e bonito, parte de quem nós somos. Passamos a notar a diversidade de todos os corpos e as particularidades deles – como cada um se expressa de um jeito – e como as pessoas são bonitas do seu jeito. É muito legal”. Assista vídeo mais recente de Alice.

Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, a jornalista Jout Jout contou sua experiência com o pole dance. Ela destaca o desenvolvimento da sensualidade como um dos maiores aprendizados da dança. “Eu tive que rever todas as coisas que eu achava sobre mim, as minhas seguranças… Não é sobre você estar dentro do padrão ou não. Não tem a ver com gordura ou celulite. Isso você nem vê. O negócio é o movimentar-se. Você tem que convencer a si mesma de que é sedutora e se seduzir”, fala Jout Jout no vídeo. Assista.

Quem também sentiu na pele os benefícios da prática foi a mãe e dona de casa Camilla Orrico, 34. Ela era sedentária e atribui ao pole dance grande parte das mudanças que teve em sua vida, principalmente nos sintomas da depressão, problema que enfrenta há anos. Após décadas de autojulgamento severo, se libertou de preconceitos e resgatou um amor próprio quem nem mesmo ela sabia que existia. “Coisas que não resolvi em anos de terapia, o pole dance fez por mim. Passei tantos anos me escondendo e tinha um monte de neuras. Noutros tempos, nunca, jamais, nem sob tortura, eu colocaria minha barriga de fora. Nem em casa, mesmo que ninguém tivesse olhando. Hoje posto foto de shortinho, saltão e mostrando a dita barriga, orgulhosa de toda a força que ela concentra e de tudo o que posso fazer graças a isso. Esse resgate de autoestima, tem sido ótimo”, conta, alegre.

‘Noutros tempos, nunca, jamais, nem sob tortura eu colocaria minha barriga de fora’, contou Camilla
(Foto: Reprodução/Instagram)

Sinônimo de libertação, a atividade a mostrou ainda a diversidade de corpos e a beleza de cada um deles – fazendo enxergar as pessoas para além da aparência. “Comecei a enxergar as pessoas – inclusive eu – para além da coisa plástica. O pole dance despertou esse amor próprio. Antes só fazia coisas que tinha certeza que sabia fazer e pensando em agradar os outros. Essas amarras não me prendem mais. Me libertei de muita bobagem. Hoje em dia estou cagando e andando se estou na moda ou não. Se tiver com vontade de colocar um cropped eu coloco, se tiver vontade de sair com short curto, saio; se quiser sair de pijama e eu saio. Se alguém olhar torto pra mim, eu ofereço um boleto pra pagar”, relata.

Camilla passou a entender melhor seus limites, se cobrar menos e entender melhor o outro. Também mudou hábitos de sono e alimentação e até se aproximou do filho e do marido: “Antes achava que todo mundo estava vencendo na vida e só eu era fracassada. Hoje sou uma pessoa muito mais tranquila. Me tornei uma mãe mais calma, atenta ao meu filho, e melhorei o relacionamento com meu marido. Até nos relacionamentos interpessoais, com as pessoas na rua, percebi mudanças. Como estou mais tolerante comigo, passei a estar com outras pessoas também”.

(Foto: Reprodução/Instagram)

Por ser sedentária, ela chegou a se machucar algumas vezes, mas está evoluindo aos poucos e encontrando uma força e flexibilidade que nem ela sabia que tinha. Coisas pequenas do dia a dia, que há dois anos Camilla não fazia sozinha por falta de condicionamento – como ir à feira e carregar sacolas pesadas e subir escadas sem chegar em cima morrendo – hoje em dia faz sem pensar duas vezes.

A sororidade entre as mulheres e o companheirismo entre os praticantes, inclusive, é uma das experiências que mais os marca. “Somos bem unidos, como uma família, e é muito gostoso. Desde o início fui muito bem recepcionado. Sempre tive vergonha de ficar sem camisa e, depois que você vê que está todo mundo de roupa mais curta, quebra essa barreira e entende que aquilo não afeta ninguém”, ressalta o estudante Alexandre Silva, 27, que também faz atividades circenses e foi apresentado ao pole dace por uma ex-namorada.

Preconceito
Depois que começou a fazer aulas da dança, Silva fortaleceu os ombros, costas, abdômen, além de quadril e punhos. “Já pratiquei vários esportes ditos masculinos, mais competitivos e agressivos – luta, musculação, futebol americano… E me apaixonei pelo pole. As pessoas fazem brincadeiras e piadinhas sem graça, que podem parecer besteira, mas são carregadas de preconceito. Eu não ligo, mas sei que amigos sofrem coisas muito piores do que eu”, conta ele, ressaltando que a atividade nada tem a ver com orientação sexual da pessoa. “Sou muito bem resolvido com relação a minha sexualidade”, afirma.

Ao contrário de Alexandre, o estudante de engenharia elétrica Gabriel Guerreiro, 25, diz não ser alvo de preconceito: “Sou gay e isso não é uma questão. Existe uma ideia errada de que a gente vai dançar para qualquer pessoa, porque as pessoas sexualizam o pole dance e objetificam o corpo”.

Pare ele, a ignorância de boa parte da população tem a ver com a popularização da dança nos clubes de strip-tease: “Não é uma coisa sexualizada e nem só de prostituta. E outra, as prostitutas que fazem pole dance brocam muito. Porque não é pra qualquer um”, pontua.

De fato, é preciso ter determinação, o que mulheres e homens gordos têm de sobra. É o caso da internacionalista Andréa Costa, 31, que mostra que seu peso não a impede de nada. “É preciso ter um pouco mais de força – já que você tem que carregar mais peso. Mas ser gorda não me impede de nada e não me faz inferior às outras pessoas. Cada um tem suas dificuldades e facilidades e é normal. Apesar de ser difícil e desafiador, porque dói, tem bastante atrito e você fica toda roxa, é muito divertido”, garante. Confira trecho de uma apresentação dela.

Em suas redes sociais, Andréa revelou que, por muito tempo, ouviu – e acreditou – que deveria se moldar aos padrões para ser feliz. “Achei que minha felicidade estava diretamente relacionada a ser magra. Era como se todos os meus problemas estariam magicamente resolvidos se eu emagrecesse. Como se nada do que eu tivesse conquistado, nada que eu fizesse, como se eu mesma não tivesse nenhuma importância, a não ser que estivesse magra. Como se fosse isso o mais importante. Quanto tempo da minha vida perdi por causa disso… Quando as inscrições pro evento abriram, eu já sabia que eu precisava me inscrever e que eu tinha que dançar essa música (This Is Me, essa sou eu, em tradução livre). Espero que faça pelo menos uma pessoa refletir um pouco sobre seus conceitos. Espero que ajude pelo menos uma pessoa a se amar um pouquinho mais. Espero que inspire pelo menos uma pessoa a começar algo que não tinha coragem por conta de seu corpo”, escreveu.

Andréa Costa, 31, faz pole dance desde 2015
(Foto: Aline Trindade/Divulgação)

Não há pré-requisitos, segundo a professora Erika, mas são necessários alguns cuidados: o aluno que tem lesões nas articulações, assim como pessoas com labirintite, devem passar por avaliação médica.

Os benefícios do pole dance para a saúde e bem-estar do corpo e da mente

1 ● Queima calorias
Como a prática requer uma movimentação intensa em vários grupos musculares simultaneamente, uma aula de 1 hora de pole dance pode queimar até 500 calorias. Para se ter uma ideia, no mesmo tempo você perde 360 calorias no vôlei, 300 na musculação, 120 estudando, 60 dormindo e 270 fazendo compras no mercado.

2 ● Diminui o estresse
Quando existe o acúmulo de energia no corpo, a sensação de cansaço é maior e são mais frequentes situações de estresse e ansiedade. Gastar essa energia em uma aula de pole dance certamente fará o  corpo liberar endorfina, o hormônio da felicidade. Assim, você relaxa e fica mais  tranquilo(a) para enfrentar os problemas do cotidiano.

3 ● Melhora a flexibilidade
Dores musculares e  nas articulações  podem ser resultado de uma falta de flexibilidade do corpo, que, sedentário, SE machuca com qualquer movimento. O pole dance ajuda a melhorar essaS dificuldadeS. Com o tempo, o praticante percebe avanços até no seu dia a dia.

4 ● Tonifica o abdômen e os músculos
A atividade  é completa e trabalha o corpo todo. mas dois grupos musculares ganham destaque no exercício: os do braço, principalmente o tríceps e o bíceps; e os abdominais – reto, oblíquos, infra abdominais e até o transverso do abdômen, mais profundo.

5 ● Fortalece os ossos
Exercícios físicos ajudam a fortalecer os ossos e as articulações, aumentando a mobilidade e a resistência de ambos. Por ser uma atividade mais lenta, o pole fortalece o tecido conjuntivo e evita lesões comuns de outros esportes. Assim, doenças como a osteoporose aparecem com muito menos frequência.

6 ● Desenvolve o equilíbrio
A consciência cinestésica – capacidade do corpo de saber exatamente onde está em relação a outros objetos – é uma das habilidades mais desenvolvidas no pole. Com os movimentos milimetricamente calculados, a prática trabalha essa consciência através do equilíbrio.

7 ● Aprimora o sistema cardiovascular
Exercícios aeróbicos fazem com que o sangue circule com mais facilidade por todas as veias e artérias e  fortalecendo o próprio coração. Para quem passa muito tempo em pé ou sentado, o pole dance é uma ótima maneira de aperfeiçoar o sistema cardiovascular.

8 ● Melhora o sono
Atividades físicas como o pole dance podem ajudar a regular o ciclo circadiano, resolvendo problemas com sono. O pole dance é ótimo para isso: o exercício cansa e, consequentemente, ajuda o praticante a dormir melhor. Com o tempo, outros aspectos da vida também vão entrando nos eixos, inclusive vida amorosa e social.

9 ● Eleva a autoestima
O pole dance desenvolve a autoconfiança, uma vez que o praticante consegue realizar movimentos que não imaginava ser capaz. É ainda um momento de conhecimento do próprio corpo e da mente. É comum que os praticantes se libertam de preconceitos sobre o corpo. Ajuda a arejar o pensamento, melhora a postura e, assim, a confiança.

10 ● Une propósitos
Os praticantes relatam que – principalmente quando o pole dance é feito em grupo – se forma uma segunda família. Eles esquecem dos problemas externos, passam a entender corpos diversos como naturais, vêm beleza na diversidade, nos movimentos e comemoram juntos as pequenas e grandes vitórias uns dos outros.

Onde praticar em Salvador

  • Armação
    O Studio de Pole Dance Erika Thompson (Rua General Bráulio Guimarães, 38) recebe aulas diariamente, exceto sexta e domingo. Os preços variam de R$ 130  – para quem faz aula uma vez na semana e paga o pacote de um semestre –  a R$ 240 – para quem faz três aulas por semana e fecha o pacote mensal. Além de pole dance nos níveis iniciante, intermediário e avançado, a escola tem aulas de outras modalidades: Pole Divas, Flexibilidade e força e habilidades acrobáticas. Essas custam  R$ 80 para alunos do pole e R$ 100 para não alunos. A aula experimental é gratuita. Infos pelo WhatsApp (71) 98669-6114.
  • Pelourinho
    A professora Odre Consiglio dá aulas de pole dance na Escola de Dança da Funceb (R. da Oração, 01). O investimento é de R$ 60 (mensal, com quatro aulas). Práticas toda sexta-feira, das 18h30 às 20h30. Mais informações: (71) 3116-6644.
  • Stella Maris
    O centro de dança e artes Cambré (Rua Capitão Melo, 167) tem aulas por R$ 150 (mês). Mais infos: (71) 2132-3596.
  • Vitória
    O Pole House Studio (Rua Aloísio de Carvalho, 119) oferece a modalidade fitness por R$ 160 (4 aulas) e R$ 180 (8 aulas). Já a  sensual sai por R$ 180 (4 aulas). A aula de flexibilidade sai por R$ 120 (4 aulas) e R$ 200 (8 aulas). Já o combo de  Twerk, que trabalha o rebolado, sai por R$ 160 (4 aulas). A aula experimental  de qualquer modalidade custa  R$ 20, enquanto  a aula avulsa  sai por R$ 50. Também podem ser contratadas aulas particulares: R$ 70 (avulsa) e R4 240 (4 aulas). Quem quiser praticar várias modalidades pode adquirir pacotes de aulas misturadas de R$ 250 a R$ 420. Infos pelo telefone (71) 99166-7466.
  • Outros bairros
    A Pole Dance Circus tem aulas em espaços variados na Barra, Brotas, Rio Vermelho, Piatã e Patamares. Infos: (71) 99139-7791 ou (71) 98604-3236.

*Reportagem minha publicada no jornal CORREIO

Paula Bastos lançará coleção plus size de vestidos para noivas e madrinhas

A blogueira Paula Bastos (@parispaula) acaba de anunciar uma novidade: ela fará vai lançar uma coleção plus size de vestidos para noivas e madrinhas com o estilista paulistano Arthur Caliman, que é reconhecido no mundo da moda pela produção de trajes para festa e ocasiões especiais.

O anúncio foi feito por Paula em seu Instagram nesta terça-feira (15). “Acredito que toda “influência” existe pra fazer o bem. Por isso, pensando em tantas leitoras que já me pediram ajuda nesses anos todos, me uni ao estilista Arthur Caliman para desenvolver uma coleção especial”, escreveu a blogueira.

Ela revelou que, apesar de não estar em um relacionamento sério, é uma romântica incurável: “Me dói muito ver a tristeza e o desespero das noivas. Então peguei o Arthur pelo braço e juntos estamos trazendo opções maraaaa para as noivinhas e madrinhas! (…) É algo que significa muito pra mim, pois quero muito que toda noiva se sinta linda e feliz em um dia tão especial!”.

O lançamento da coleção acontece neste sábado (19), em São Paulo, mas as peças estarão todas disponíveis no site do estilista. Massa, né? Boa sorte, Paulinha! ❤